Acesso prioritário disponível O que Ver no Interior da Biblioteca Joanina
As três salas douradas, o esquema de cores preto-vermelho-verde, o teto em trompe-l'oeil, a prisão académica abaixo e o restante Paço das Escolas.
Dispõe de 20 minutos no interior da Biblioteca Joanina, por isso vale a pena saber exatamente para onde olhar antes de atravessar a pesada porta. O piso nobre da biblioteca não é uma sala, mas três, dispostas uma atrás da outra como as naves de uma basílica, cada uma emoldurada por um arco dourado e saturada de folha de ouro, madeira exótica e ilusão pintada. Abaixo do dourado reside uma história mais sombria — um piso de trabalho e, por baixo dele, a prisão medieval da universidade. E o mesmo bilhete combinado que lhe dá acesso à biblioteca abre o resto do Paço das Escolas: o Palácio Real com a sua Sala dos Grandes Atos, a deslumbrante Capela de São Miguel e o seu órgão barroco. Este guia acompanha-o no que fixar o olhar dentro da própria biblioteca e, em seguida, no que o resto da universidade oferece, para que nada lhe escape na azáfama de uma visita com hora marcada.
As três salas douradas e o esquema cromático
O piso nobre é a imagem que todos têm na mente: três salas em fila, separadas por arcos dourados e ladeadas por dois andares de estantes e varandas em madeiras escuras e exóticas trazidas do Brasil. O génio está na cor. Cada sala é decorada com ouro sobre um fundo diferente — as estantes e varandas esculpidas são pintadas e laqueadas sobre fundos verde, vermelho e preto, de modo que percorrer a biblioteca o leva através de uma mudança deliberada de ambiente de uma sala para a seguinte. Seis longas mesas em madeira tropical correm ao centro, e um retrato do Rei D. João V — a 'Joanina' é nomeada em sua homenagem — preside o espaço que ele pagou com ouro do Brasil.
Observe com atenção e o trabalho de laca recompensa o olhar. As estantes e varandas esculpidas exibem motivos de inspiração chinesa, a chinoiserie que estava no auge da moda no Portugal de D. João V e que ecoa a decoração do órgão na vizinha Capela de São Miguel. As prateleiras guardam cerca de 40.000 volumes raros, impressos entre os séculos XVI e XVIII, sobre teologia, direito, medicina, filosofia e ciência — não são adereços, mas uma verdadeira coleção de trabalho da época. Em vinte minutos não é possível lê-los, mas pode absorver a arquitetura do saber que os envolve: ouro, madeira e luz dispostos para fazer da erudição um ato quase sagrado.
Os tetos em trompe-l'oeil
Incline a cabeça para trás em cada sala. Os tetos foram pintados em trompe-l'oeil — perspetiva ilusionista — pelos artistas lisboetas António Simões Ribeiro e Vicente Nunes, evocando arquitetura pintada, cornijas e aberturas que parecem estender a sala real para cima, num espaço que não existe. O efeito é fazer as salas parecerem mais altas e grandiosas do que as suas dimensões reais, um truque de ilusionismo barroco que transforma uma biblioteca num palco para a sabedoria. Com apenas 20 minutos lá dentro e três salas para atravessar, é fácil manter os olhos à altura das estantes e perder os tetos por completo — por isso, faça questão de olhar para cima em cada sala, porque as abóbadas pintadas são tão essenciais na Joanina quanto o ouro que as reveste.
Os três tetos não são meramente decorativos; juntos formam um programa. Através das salas, as pinturas personificam três manifestações do conhecimento — uma alegoria da própria biblioteca (Bibliotheca), da universidade (Universitas) e da enciclopédia de todo o saber (Encyclopaedia). Ler os tetos como uma sequência é uma das coisas mais gratificantes que pode fazer no seu curto tempo lá dentro: cada sala declara uma ideia diferente do que é o conhecimento e de como deve ser honrado, e a ilusão pintada eleva todo o conceito literalmente sobre a sua cabeça. É um lembrete de que a Joanina foi concebida como um argumento, tanto quanto como um depósito de livros — uma afirmação barroca de que o saber, patrocinado pela realeza, merecia ser consagrado como escritura.
Abaixo da douradura — o piso de trabalho e a prisão
A Joanina é mais do que o seu piso superior dourado. Abaixo do nível nobre fica o piso intermédio, historicamente usado para a conservação de livros e para alojar os guardas que vigiavam a prisão por baixo — um espaço mais simples e estrutural, onde ainda se podem ler as marcas dos canteiros nos arcos. É um lembrete útil de que a deslumbrante biblioteca acima se erguia sobre uma instituição funcional com a sua própria ordem e disciplina, e que o edifício foi concebido como uma máquina completa para guardar e proteger o conhecimento, e não apenas como uma sala de aparato. Dependendo do bilhete e do percurso, nem todos os visitantes veem os três níveis, por isso vale a pena perguntar que pisos a sua visita inclui quando planeia o dia.
No ponto mais profundo fica a Prisão Académica, uma sobrevivência da época em que a Universidade de Coimbra detinha os seus próprios poderes judiciais e podia encarcerar os seus membros — um privilégio que manteve até 1834. As celas medievais, a que se acede por uma escada em caracol, alojaram outrora infratores cujos crimes iam do académico ao menor: copiar em exames, adormecer nas aulas ou roubar livros da própria biblioteca acima. Havia celas comuns e duas celas apertadas de isolamento, apelidadas de 'Segredos'. Estar nesta cave de pedra escura, diretamente por baixo da biblioteca mais bela de Portugal, é sentir toda a extensão vertical da instituição — castigo no fundo, saber dourado no topo.
O resto do Paço das Escolas no seu bilhete
O seu bilhete combinado não se esgota na biblioteca. O Paço Real — o Paço das Escolas — foi outrora uma residência real, doado em 1537 para se tornar o coração da universidade, e a sua sala mais grandiosa é a Sala dos Capelos, a Grande Sala dos Atos. Ornada com retratos de reis portugueses e coroada por um teto pintado, é o palco das cerimónias mais solenes da universidade e uma das salas mais impressionantes do país. O pátio do palácio lá fora, com a sua torre do relógio e o terraço panorâmico sobre Coimbra e o rio, é a imagem que a maioria dos visitantes leva consigo.
Não perca a Capela de São Miguel, ao lado do palácio. Manuelina na sua estrutura, mas barroca no seu esplendor, a capela é revestida a azulejos e coroada por um espetacular órgão do século XVIII — um presente do Rei D. João V — equipado com quase 2.000 tubos e pintado com os mesmos motivos de estilo chinês das estantes da biblioteca. Para além destes, o mesmo bilhete dá acesso aos museus históricos da universidade, incluindo um laboratório de química do século XVIII e um gabinete de curiosidades. Juntamente com a Joanina, deixam claro que Coimbra não é um monumento isolado, mas uma instituição com séculos de profundidade que se atravessa a pé.
Perguntas frequentes
Quantos salas tem a Biblioteca Joanina?
O piso nobre tem três salas dispostas em linha, separadas por arcos dourados, cada uma decorada a ouro sobre um fundo diferente — verde, vermelho e preto. Abaixo, encontra-se um piso intermédio funcional e, no nível mais profundo, a medieval Prisão Académica.
Quais são as cores das salas da Biblioteca Joanina?
As três salas do piso nobre são decoradas a ouro sobre fundos verde, vermelho e preto, de modo que percorrer a biblioteca a pé proporciona uma transição deliberada de cor e ambiente de uma sala para a seguinte.
O que está pintado no teto da Biblioteca Joanina?
Os tetos são em trompe-l'oeil — pintura ilusionista de António Simões Ribeiro e Vicente Nunes que faz as salas parecerem mais altas. Os três, em conjunto, personificam a Biblioteca (Bibliotheca), a Universidade (Universitas) e a Enciclopédia (Encyclopaedia).
Existe mesmo uma prisão por baixo da biblioteca?
Sim. A Prisão Académica situa-se por baixo da Joanina, uma sobrevivência da época em que a Universidade de Coimbra detinha os seus próprios poderes judiciais até 1834. As suas celas medievais alojaram outrora estudantes que copiavam nos exames, adormeciam nas aulas ou roubavam livros da biblioteca.
De que madeira são feitas as estantes da biblioteca?
Os dois pisos de estantes e varandins são feitos de madeiras exóticas escuras trazidas do Brasil, laqueadas a ouro sobre fundos coloridos e decoradas com motivos chineses de chinoiserie que ecoam o órgão da Capela de São Miguel.
O que mais posso ver com o mesmo bilhete?
O bilhete combinado dá também acesso ao Paço das Escolas, com a imponente Sala dos Capelos, à Capela de São Miguel — onde se destaca um órgão barroco de cerca de 2 000 tubos — e aos museus históricos da universidade, que incluem um laboratório de química do século XVIII e a galeria de mineralogia.
Posso tirar fotografias no interior da biblioteca?
Geralmente não é permitido fotografar no interior da Biblioteca Joanina, para proteger os livros centenários, as douraduras e as pinturas do teto dos danos causados pela luz. Muitos dos outros espaços da universidade podem normalmente ser fotografados — siga a sinalização e as indicações do pessoal.