A Biblioteca Joanina é a biblioteca mais espectacular de Portugal e um dos grandes interiores barrocos da Europa. Foi encomendada pelo Rei D. João V — o ouro do Brasil pagou-a — e construída entre 1717 e 1728 no terraço superior da Universidade de Coimbra, cujas raízes remontam a 1290, sendo uma das universidades mais antigas do mundo. Por detrás de paredes com mais de dois metros de espessura, três salas ricamente decoradas abrem-se umas para as outras como as naves de uma basílica, ladeadas por dois pisos de estantes douradas em madeira de jacarandá exótico trazida do Brasil, sob tectos pintados e um retrato do rei que a mandou construir. As estantes albergam mais de 60.000 volumes raros, impressos entre os séculos XVI e XVIII, sobre teologia, direito, medicina, filosofia e ciência.
A Joanina tem guardiões que a maioria das bibliotecas invejaria: uma pequena colónia de morcegos que vive no edifício e emerge à noite para se alimentar das traças e outros insectos que, de outra forma, devorariam o papel e as encadernações. Todas as noites, as mesas de leitura são cobertas com panos de couro para as proteger, e todas as manhãs as coberturas são retiradas — uma rotina de conservação com 300 anos que ainda funciona. As paredes espessas e uma pesada porta de teca mantêm a temperatura e a humidade notavelmente estáveis, razão pela qual os livros aqui sobreviveram a séculos que destruíram colecções noutros locais.
Não existe bilhete apenas para a biblioteca: a Biblioteca Joanina é visitada como parte do bilhete combinado da Universidade de Coimbra, juntamente com o Paço Real (o Paço das Escolas), a Capela de São Miguel dourada e os museus históricos da universidade. A entrada na biblioteca propriamente dita é feita em slots rigorosos de 20 minutos para grupos pequenos, pelo que a hora no seu bilhete é a hora de entrada; os outros espaços podem ser explorados antes, depois ou ao longo de dois dias. Toda a colina universitária — a Alta e a Rua da Sofia, em baixo — foi inscrita pela UNESCO como Património Mundial em 2013.